As negociações entre Estados Unidos e Irã terminaram sem acordo após 21 horas de conversas realizadas em Islamabad, no Paquistão, ampliando o cenário de tensão internacional e incerteza sobre o programa nuclear iraniano.
O encontro reuniu delegações dos dois países em uma tentativa de avançar em um acordo de paz, mas terminou sem consenso sobre pontos considerados centrais, especialmente em relação ao desenvolvimento de armas nucleares.
Impasse gira em torno do programa nuclear
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou que as conversas foram produtivas, mas não resultaram em avanço concreto.
“Mantivemos várias conversas substanciais com os iranianos. Essa é a boa notícia. A má notícia é que não chegamos a um acordo”, declarou J.D. Vance.
Segundo ele, o principal entrave foi a falta de compromisso do Irã em abandonar de forma definitiva a possibilidade de desenvolver armas nucleares.

“Precisamos ver um compromisso firme de que não buscarão uma arma nuclear, nem as ferramentas que lhes permitiriam obtê-la rapidamente”, acrescentou o vice-presidente.
Vance afirmou ainda que os Estados Unidos deixaram uma proposta final sobre a mesa.
“Veremos se os iranianos a aceitam”, disse.
Irã diz que falta confiança nas negociações
Do lado iraniano, a avaliação foi de que não houve confiança suficiente para avançar no acordo.
O chefe do Parlamento do Irã, Mohammad-Bagher Ghalibaf, indicou que o histórico de conflitos pesou na decisão.
“Apresentamos iniciativas promissoras, mas, no fim, o lado oposto não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações”, afirmou Ghalibaf
O governo iraniano sustenta o direito de manter seu programa nuclear para fins pacíficos e rejeita acusações de desenvolvimento de armas atômicas.
Estreito de Ormuz no centro da crise
Após o fracasso das negociações, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom e anunciou medidas relacionadas ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de petróleo.

“Também instruí nossa Marinha a buscar e interceptar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã”, afirmou Donald Trump.
O estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, foi fechado pelo Irã após o início do conflito no fim de fevereiro.
A possível restrição ao tráfego na região aumenta o risco de impacto direto nos mercados internacionais de energia.
Conflito se arrasta desde ruptura de acordo anterior
As negociações fazem parte de uma tentativa de retomar o controle sobre o programa nuclear iraniano, após a ruptura do acordo firmado em 2015.
Desde então, o Irã ampliou o nível de enriquecimento de urânio, enquanto os Estados Unidos mantêm a exigência de restrições mais rígidas, incluindo o chamado “enriquecimento zero”.
Divergências impedem avanço rápido
Representantes iranianos também destacaram que temas complexos como sanções, segurança regional e controle do Estreito de Ormuz não poderiam ser resolvidos em um curto período.
“Era natural que tais questões não pudessem ser resolvidas em quase 24 horas de negociações”, pontuou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei.
Cenário segue indefinido
Com o encerramento das negociações sem acordo, o cenário permanece indefinido, com manutenção das divergências entre as partes e aumento das tensões geopolíticas.
O impasse mantém atenção internacional sobre possíveis impactos econômicos e desdobramentos no conflito, especialmente em relação ao fornecimento global de petróleo.
Fonte: Agência Brasil e Pleno News


