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segunda-feira, junho 1, 2026

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Classificação de facções como terroristas prejudica economia do Brasil

A classificação pelos Estados Unidos (EUA) de facções do crime organizado do Brasil como terroristas deve prejudicar a economia do país, com impactos sobre o turismo, investimentos e comércio exterior. A avaliação é de especialistas em geopolítica, relações internacionais e economia.  

Outro possível prejuízo é para as exportações brasileiras, que passam a ser alvo de maior escrutínio de países como EUA e aliados da Europa, que aceitam as classificações de Washington.

“Tudo que o Brasil exporta vai ficar no nível de produtos passíveis de serem utilizados para exportação de drogas, para atentados terroristas ou contra transnacionais. Esse é o nível mais profundo que vai impactar de forma longa e permanente as exportações brasileiras”, afirmou o cientista político.

Teixeira, que é professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro, destacou ainda que o turismo deve ser imediatamente impactado porque a decisão do governo Trump coloca o país como abrigo de organizações terroristas.

“Nos coloca ao nível da Somália ou outros países. Nos coloca ao nível de países que a gente chamava antes de países páreas, países que não são confiáveis para turismo e viajantes internacionais”, avalia o professor.

Ainda segundo o professor da UFRJ, o chamado turismo de negócios de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que sediam as facções classificadas como terroristas, também devem ser impactos.

“A organização de eventos de negócios em São Paulo deve cair enormemente, é o que a gente chama de turismo de negócios, que é extremamente importante em São Paulo por mover a rede hoteleira e serviços de restaurante, taxi, etc”, acrescentou.

O professor de economia internacional da UFRJ Luiz Carlos Prado explicou que é difícil mensurar o impacto dessa decisão para a economia, mas avalia que as empresas podem ser prejudicadas por meio de subterfúgios usados para barrar concorrentes. Ele levanta a hipótese do uso político da classificação.

“Recentemente, houve investigações que envolvem fintechs [empresas financeiras] na área da Faria Lima em São Paulo. Em tese, a decisão dos EUA abre espaço para você ter uma retaliação contínua de apoio ao terrorismo de organizações financeiras no Brasil. Você pode usar politicamente para esse fim”, disse. 

Para o economista, empresas brasileiras poderiam ser prejudicadas sob alegações de envolvimento com o terrorismo. 

“Aumenta o risco de empresas que atuam no país que possam ser prejudicadas por algum critério que se coloca, reduz a margem de manobra de empresas brasileiras, do Estado brasileiro, aumenta a instabilidade política, e trata das questões específicas do crime organizado”, comentou.

Fonte: Agência Brasil

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