O Brasil tem registrado avanços no enfrentamento da malária, mas a doença ainda representa um importante desafio para a saúde pública, especialmente na região amazônica. No Dia Mundial da Luta contra a Malária (25 de abril), o alerta do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), administrado pela Rede HU Brasil, é para intensificar esforços em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, sobretudo junto às populações mais vulneráveis.
Dados do Ministério da Saúde mostram uma tendência de queda da malária no Brasil, com uma redução de 16% dos casos no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025. Mais de 90% das ocorrências continuam concentradas na região amazônica, onde fatores ambientais, geográficos e sociais favorecem a transmissão.
Segundo o infectologista Tobias Garcez Junior, do HDT-UFNT, a redução dos casos deve ser analisada com cautela.
“Mesmo quando há queda nos números, isso não significa necessariamente controle definitivo da doença. Muitas vezes, o avanço está relacionado ao aumento da testagem, ao diagnóstico mais rápido e ao acesso ao tratamento em populações mais vulneráveis. Essas ações ajudam a interromper a cadeia de transmissão”, explica.
Causa e sintomas
A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada da fêmea do mosquito Anopheles. No Brasil, a maioria das ocorrências é provocada pelo Plasmodium vivax, espécie que geralmente causa formas menos graves, mas que pode permanecer no fígado e provocar recaídas quando o tratamento não é realizado de forma correta e completa.
Os sintomas mais comuns incluem febre alta, calafrios, sudorese intensa, dor de cabeça, dores no corpo, fraqueza e mal-estar geral.
“O principal erro ainda é não pensar em malária, subestimar alguns sintomas como febre, calafrios, dor no corpo, que às vezes a gente associa a outras síndromes, como uma virose. Quando há histórico de viagem ou permanência em área de risco, a suspeita precisa ser considerada imediatamente”, alerta o médico.
Segundo o especialista, a doença também pode apresentar ciclos de febre, o que leva algumas pessoas a acreditarem que melhoraram, mas depois adoecem novamente.
Quando não tratada rapidamente, especialmente nos casos por Plasmodium falciparum, a malária pode evoluir para complicações graves, como insuficiência respiratória, anemia intensa, distúrbios da coagulação, sangramentos, infecções associadas e insuficiência renal aguda
Diagnóstico e tratamento disponíveis no SUS
O principal exame para diagnóstico da malária no Brasil é a gota espessa. Testes rápidos também podem ser utilizados em determinadas situações. No HDT-UFNT, o tratamento segue os protocolos do Ministério da Saúde e é ofertado gratuitamente pelo SUS. Casos leves costumam ser acompanhados ambulatorialmente, enquanto pacientes com sinais de gravidade podem necessitar de internação hospitalar.
“A malária tem cura e o tratamento está disponível na rede pública. O fundamental é procurar assistência médica ao surgirem os sintomas e seguir corretamente a medicação prescrita. Interromper o tratamento antes do tempo indicado pode favorecer recaídas e dificultar o controle da doença”, reforça o infectologista.
Embora Tocantins registre poucas ocorrências autóctones da doença, o HDT-UFNT recebe pacientes encaminhados de diferentes estados da Amazônia Legal, como Pará, Rondônia e Roraima.
“Como unidade de referência, o HDT precisa garantir diagnóstico oportuno, manejo adequado dos casos graves, apoio técnico a outros serviços de saúde e fortalecimento da vigilância epidemiológica”, afirma o médico.
Prevenção segue como principal estratégia
A prevenção continua sendo a forma mais eficaz de controle da malária. Entre as principais medidas estão o uso de mosquiteiros, telas de proteção, repelentes, roupas compridas em áreas de risco e eliminação de criadouros próximos às residências.
Viajantes que se deslocam para regiões endêmicas também devem redobrar os cuidados e buscar orientação de profissionais de saúde.
“A malária é uma doença evitável e tratável, mas ainda causa impacto importante no país. Informação, prevenção e diagnóstico rápido continuam sendo as melhores ferramentas para salvar vidas”, conclui o especialista.
Fonte Da Assessoria


