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terça-feira, outubro 27, 2026

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Produtores devem ficar atentos: Decisão do TJMT muda regras para irrigação em Mato Grosso

Produtores rurais de Mato Grosso devem ficar atentos às mudanças nas regras para irrigação após decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), de 8 de outubro, que declarou inconstitucionais três dispositivos da Lei Estadual nº 12.717/2024, responsável pela criação do Programa Estadual de Irrigação (PROEI) e da Política Estadual de Agricultura Irrigada.

A decisão afeta o licenciamento ambiental, a regularização de empreendimentos e os prazos para suspensão de atividades em casos de indisponibilidade hídrica. Os demais dispositivos da lei permanecem válidos, assim como a atividade de irrigação, desde que cumpridas as exigências ambientais e de uso da água.

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) acompanha os desdobramentos e orienta os produtores a verificarem suas licenças e outorgas antes de iniciar, ampliar ou regularizar sistemas de irrigação.

Principais mudanças

Uma das alterações envolve a classificação ambiental das obras. A legislação permitia enquadrar previamente como de interesse social e baixo impacto intervenções como barramentos, instalação de bombas e tubulações em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e abertura de corredores em Reservas Legais.

Com a decisão, esse enquadramento deixa de ser automático e passa a depender de análise técnica do órgão ambiental, conforme as características e os impactos de cada empreendimento.

Outra mudança atinge a regularização dos sistemas de irrigação. O dispositivo invalidado previa cinco anos para adequação, com suspensão de penalidades, descontos em multas e até 24 meses sem novas autuações, conforme as condições estabelecidas na lei. Esses benefícios deixam de ter respaldo no artigo anulado, exigindo atenção dos produtores com processos em andamento.

O TJMT também afastou o prazo automático de 180 dias para encerramento das atividades ou retirada de equipamentos quando a licença ou outorga fosse negada por indisponibilidade hídrica. Em situações de escassez, a interrupção da captação poderá ser exigida imediatamente.

Para a Famato, a irrigação é estratégica para a agropecuária mato-grossense, pois contribui para a estabilidade da produção, reduz riscos climáticos e melhora o aproveitamento dos recursos produtivos.

A entidade respeita a decisão judicial, mas ressalta a necessidade de critérios técnicos objetivos, regras de transição claras e maior agilidade na análise de licenças e outorgas, garantindo previsibilidade aos investimentos e proteção aos recursos naturais.

Irrigação contribui para o desenvolvimento da agropecuária mato-grossense e exige atenção às normas ambientais

A Federação também defende o diálogo entre produtores, órgãos ambientais, Ministério Público e Judiciário para conciliar o desenvolvimento da agricultura irrigada com a gestão responsável da água. A entidade recomenda consultar o órgão ambiental antes de iniciar ou ampliar obras, especialmente quando envolverem cursos d’água, APPs ou Reservas Legais.

Também orienta verificar a validade das licenças e outorgas, manter o Cadastro Ambiental Rural (CAR) atualizado e organizar projetos, laudos e demais documentos dos empreendimentos. Produtores com processos de regularização em andamento ou autorizações de captação negadas devem buscar assistência técnica e jurídica.

Para mais informações ou esclarecimento de dúvidas, os produtores podem entrar em contato com a Famato pelo e-mail agricultura@famato.org.br.

Fonte: Eduardo Cardoso/Famato

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