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domingo, junho 16, 2024

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Completando dez anos em 2024, Janeiro Branco traz o dístico “Saúde mental enquanto há tempo”

Nascido em 2014, em Uberlândia, no Triangulo Mineiro, o Janeiro Branco, que enfatiza a importância da saúde mental, propaga, em 2024, o lema “Saúde mental enquanto há tempo! O que fazer agora?”. Junto com a campanha nacional, o Departamento de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) comemora os dez anos do movimento intensificando suas ações neste mês, já que, segundo o coordenador do setor, o psicólogo Douglas Vargas, as práticas para promover a saúde da mente estão disponíveis à população a qualquer momento.

“Existem algumas previsões no campo da saúde mental de que os transtornos mentais seriam o mal deste século, fruto das mudanças rápidas de hábitos da população. Nas últimas décadas acompanhamos mudanças na forma como as pessoas se comunicam, as relações ficaram muito mais mediadas por meios tecnológicos do que antes. Hoje pessoas de todas as faixas etárias ficam muitas horas ao dia nas redes sociais. Até mesmo os campos de trabalho mudaram por impacto das tecnologias, além do transtorno de nível global, que foi a pandemia, que influenciou a socialização de crianças e adolescentes nas escolas. A relação de ensino e aprendizagem afetou a população do mundo todo que, de acordo com a situação socioeconômica de cada grupo, passou a ter mais ou menos suporte para o desenvolvimento de suas atividades durante os anos pandêmicos”, comenta o coordenador.

Ele aproveita para avaliar o panorama atual de Rondonópolis: “Assim como todas as sociedades, a rondonopolitana é fruto das mudanças, das informações, das desinformações e das peculiaridades da época em que vive. Com o intuito de refletir e impulsionar transformações dentro da temática da saúde mental, organizamos ações alinhadas com a Campanha do Janeiro Branco 2024”.

Douglas ainda complementa: “Nos meses de campanha, como o Janeiro Branco e o Setembro Amarelo, que foca na prevenção ao suicídio, ações como palestras e panfletagens em espaços públicos são reforçadas. Neste ano, serão realizadas atividades em empresas, nos Cras, na Coder, no auditório da Prefeitura e em unidades de saúde, abrangendo tanto usuários dos serviços públicos, quanto servidores. Mas durante o ano todo temos atividades de saúde mental em mutirões, escolas e empresas. Os Caps ad e Infantojuvenil, além das consultas e terapias nessas unidades, realizam matriciamento nas unidades básicas de saúde, atendimentos domiciliares, quando necessário, e possuem cronograma semanal ou quinzenal em instituições como cadeia feminina e Aldeia Tadarimana, sempre com o intuito de promover psicoeducação, ofertar informações sobre saúde mental, serviços disponíveis e dar os devidos encaminhamentos para os tratamentos que forem necessários. O matriciamento ocorre quando os Caps orientam as equipes da atenção primária para o acompanhamento dos casos de saúde mental”.

ASSUNTO TABU

Não é castigo. Não é falta de Deus. Não é frescura, nem tampouco outros rótulos que invalidam e desmerecem alguém quando relata desânimo, tristeza, desesperança entre outros sinais que possam preconizar uma eventual depressão. Posturas preconceituosas acabam inibindo indivíduos que percebem que algo não vai bem com sua saúde mental de compartilharem o que está se passando consigo e buscarem ajuda por medo de serem julgados e culpabilizados.

“A saúde mental ainda é cercada de muitos tabus, valores religiosos e até morais. Ainda se ouve bastante associar o conceito de ‘frescura’, ou ‘falta de Deus’ diante de um quadro depressivo, por exemplo. Atribui-se também a ideia de fraqueza e outros tantos termos depreciativos, que comprovam que, embora se fale tanto sobre esse tema há tantos anos, ainda não existe uma compreensão de grande parte da população sobre o funcionamento da mente e comportamentos como uma expressão de saúde ou desequilíbrio desta. As causas da depressão podem ser genéticas, ambientais, bioquímicas ou a soma delas”, observa o psicólogo.

É preciso atentar para alguns ranços ainda bem comuns na sociedade atual. “O preconceito está no fato de não se compreender os processos mentais e a expressão deles, que são as emoções e os comportamentos, como um aspecto de saúde impactado pos hábitos preventivos. A falta de consciência de que existe uma correlação entre pensamentos e emoções como fatores que interferem na saúde faz com que as pessoas deixem de adotar medidas para manter o equilíbrio e o bem-estar negligenciando hábitos preventivos e se descuidando de um modo geral”, alerta o coordenador.

Sobre esse quesito, Douglas indica que há várias atitudes que podem ajudar a preservar a saúde mental: “Existe uma grande quantidade de conteúdo hoje acessível à maioria da população nas redes sociais sobre como promover saúde mental, como exercícios físicos, hábitos alimentares saudáveis, sono de qualidade e lazer. Mas ainda assim vemos crescentemente a demanda por tratamentos, principalmente o medicamentoso. Provavelmente quem está lendo esta matéria agora faz, já fez ou conhece alguém que faz uso de uma medicação para melhorar o sono, estabilizar o humor, tratar depressão, ansiedade ou uma oscilação entre ambos. Podemos concluir que o aumento no uso de fármacos expresse o fato de que os hábitos preventivos não estejam sendo praticados como deveriam”.

MEDIDAS PROFILÁTICAS

Para evitar que o desequilíbrio psicoemocional se instale ou agrave, é preciso adotar uma rotina rica de estímulos positivos e que seja capaz de blindar o indivíduo de uma pane mental. É importante, também, estar atento à frequência dos seus indícios e sua intensidade para procurar, enquanto há tempo, como alerta o slogan, ajuda de profissionais especializados.

Após uma década, o Janeiro Branco tem muito para celebrar. Ganhou ruas de Uberlândia, depois saiu de Minas Gerais e ganhou o Brasil – onde, em variados municípios, foram criadas leis municipais em alusão à data e, em seguida, ganhou proporção maior, quando leis estaduais foram instituídas sobre o assunto em diversos estados. Até que, em abril de 2023, foi sancionada a lei federal 14.556/23, que estabelece em todo território nacional a Campanha Janeiro Branco para promoção da saúde mental.

Hoje, a mobilização deixou de ser exclusiva ao primeiro mês do ano e se tornou o Instituto Janeiro Branco, que se dedica à causa por meio de palestras, entrevistas, caminhadas, abordagens de pessoas nos mais diversos locais – ruas, shoppings, hospitais, igrejas, empresas, entre outros –, workshops, oficinas, cursos e rodas de conversa para conscientizar o público sobre a importância de cuidar da saúde mental e construir relações humanas e uma vida melhor para todos de janeiro a janeiro.

Idealizador do Janeiro Branco, o uberlandense Leonardo Abrahão, psicólogo, professor, escritor e presidente do Instituto Janeiro Branco indaga e, ao mesmo tempo, responde: “A campanha só acontece em janeiro. Significa que de fevereiro a dezembro saúde mental não tem importância? Não. O janeiro é justamente para lembrar da importância e passar de fevereiro a dezembro fazendo algo, levantando discussões, lembrando da temática”. Já a psicóloga e psicanalista Valéria Ribeiro, que é vice-presidente da instituição, afirma que informações salvam vidas. Ao concordar com os colegas de profissão, Douglas aproveita para acrescentar: “Informações ajudam a criar hábitos e comportamentos”.

Reforçando essa ideia, o psicólogo da SMS enfatiza: “Uma das ferramentas de que se pode lançar mão para a prevenção é a informação”. O coordenador também assinala: “Não é preciso ser especialista para observar que, mesmo com tantas facilitações das atividades diárias trazidas pelas tecnologias, nos tornamos uma sociedade apressada, sem tempo. Embora haja comunicação constante através das redes sociais, as pessoas têm apresentado dificuldades em se relacionar e gerir conflitos interpessoais”.

A partir dessa problemática contemporânea, Douglas sugere algumas formas de prevenção como reduzir tempo de uso de telas, praticar exercícios físicos, meditativos e de respiração, buscar vínculos interpessoais saudáveis tanto no trabalho quanto em casa e, ainda, realizar consulta psicológica periódica para avaliar mudanças de padrões de pensamentos, emoções e comportamentos que estejam causando desconforto ou sofrimento para si ou terceiros.

CENÁRIO LOCAL

Independente do contexto ou da classe social a que se pertença, é possível a cada um analisar estímulos positivos e negativos que o aflija e programar mudanças. “Por vezes, a saúde mental pode estar sendo prejudicada por um relacionamento amoroso, relações de trabalho, frustrações na carreira, assédio de todo tipo, violências e outros tantos motivos dos quais a pessoa pode se livrar em algum momento ao adquirir novos comportamentos que melhorem o estado de desconforto”, cita o psicólogo.

Rondonopolitanos não estão imunes aos problemas que atingem o resto do planeta, conforme descreve Douglas: “Sem dúvida, Rondonópolis reflete um panorama mundial dos agravos de saúde mental característicos de populações com crescimento populacional e industrial rápido, que são os quadros de ansiedade e depressão, bem como os de sofrimentos decorrentes de dependência de álcool e ou outras drogas”.

Ao extrapolar janeiro, o branco da campanha colore todos os meses do ano também na cidade. Assim, ninguém precisa ter medo ou vergonha de pedir apoio se estiver observando desequilíbrio em sua saúde mental e pode buscar ajuda no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Infantojuvenil, que fica na Rua Treze de Maio 340, Vila Aurora e atende pelo 9 8421-0241. Outras opções são o Caps Álcool e Drogas (Caps ad) localizado na Rua Bochnia 440, Jardim Belo Horizonte, com telefone 9 9205-4115 e o Caps Paulo de Tarso, que se encontra na Rua Nogueira 178, Jardim Belo Horizonte e disponibiliza o número 9 8412-1224. Há ainda o Ambulatório de Saúde Mental (Ament), cujo endereço é Rua Otávio Pitaluga 2.974, Jardim Monte Líbano e que pode ser contatato pelo 9 9697-8630 e, ainda, o Ambulatório Viva que está na Avenida Casemiro de Abreu 355, Jardim Monte Líbano e pode ser acionado pelo 9 9691-6166. Todos esses locais funcionam de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h e das 13h às 17h.

Caso haja urgência no atendimento, a pessoa pode entrar em contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo 192 ou com o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo 188, que funcionam por 24 horas, todos os dias da semana. “É importante destacar que somente para consulta psiquiátrica é necessário o encaminhamento da unidade de saúde. Fora isso, tanto nos ambulatórios de saúde mental, quanto nos Caps o acolhimento é porta aberta por ordem de chegada”, orienta o coordenador.

Fonte: Roberta Azambuja – Assessoria

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